Fonte: Sportinveste Multimédia | |
| quinta-feira, 05 Novembro 2009 | |
Quando o calendário é inimigo
No último Masters 1000 do circuito ATP, no mês passado, em Xangai (China), desistiram nove jogadore ...
![]() |
SportInveste Multimédia |
No último Masters 1000 do circuito ATP, no mês passado, em Xangai (China), desistiram nove jogadores. No recente Masters do WTA Tour, em Doha (Catar), abandonaram quatro das nove tenistas envolvidas. Perante este cenário, chega-se à conclusão que com o aproximar do final das respectivas temporadas aumenta o número de lesões. Uma praga cuja principal explicação se encontra num calendário sobrecarregado, numa altura em que a exigência do ténis moderno tem levado a um maior desgaste físico e a lesões mais frequentes. Num passado não muito distante, o defeso e a pré-temporada chegava a durar dois meses e agora não chega a mês e meio. As lesões mais comuns continuam a ser no ombro, pulso, costas e abdominais. A lesão do futuro será no quadril. O ténis actual é mais rápido do que nunca e, muitas vezes, os golpes já não se executam de lado, mas sim de frente, algo que elimina a componente rotacional e leva a que o quadril sofra cada vez mais. Para os especialistas só há dois caminhos para reduzir as lesões. Angel Ruiz Cotorro, médico da selecção espanhola da Taça Davis e o clínico a quem habitualmente recorre Rafael Nadal dá duas excelentes explicações. Primeiro, e tendo em conta que as crianças já têm uma raqueta na mão aos cinco anos, é necessário trabalhar a prevenção desde essa idade, para minimizar os impactos que sofrerão quando se tornarem profissionais. Segundo, e como factor mais importante, o médico espanhol também é da opinião que se deve reduzir o calendário. "Tal como está é impossível permanecer entre a elite mais de seis ou sete anos", alerta. Gilbert Bang, médico fisiatra brasileiro, membro da Sociedade do Ténis Medicina e Ciência, elaborou um estudo no sentido de se construir um calendário ideal. Para cada torneio um atleta deveria reservar cinco semanas: três de preparação, uma a competir e uma a recuperar. Como na prática ninguém respeita esta teoria, Bang conclui que a média de torneios disputados pelos(as) tenistas do topo é de 22, ou seja, mais do dobro do ideal. "Teoricamente, isso já explica o elevado índice de lesões observadas no final de cada época", sintetiza. Os mais castigados No actual Top 20 do ranking ATP, há 12 jogadores que estão ou estiveram lesionados. Eis a lista dos mais castigados pelas lesões: Nadal (joelhos e abdómen); Murray (pulso); Del Potro (pulso); Davydenko (perna e pé); Roddick (joelho); Tsonga (costas e joelho); Verdasco (abdominal); Soderling (cotovelo); Simon (joelho); Monfils (costas); Haas (ombro); Ferrer (coxa) Explicações, casos e complicações Circuito WTA ficou bastante condensado António van Grichen é, desde há cinco anos, o treinador da bielorrussa Victoria Azarenka (7ª mundial) e também considera que as exigências do calendário impõem que as atletas "joguem semana sim, semana não". Algo que se agravou depois de o WTA Tour ter decidido, este ano, encerrar a época um pouco mais cedo. "Por essa razão, o calendário ficou mais condensado", adverte o treinador português, que dá ainda a conhecer outra explicação para algumas das lesões. "Pode dar-se o caso, não tanto entre as jogadoras do topo, de os preparadores físicos e os treinadores puxarem demais pelas atletas, levando a que, mais cedo ou mais tarde, algumas acabem por ´explodir` fisicamente". Excesso de competição prejudica final de ano Entre os actuais membros do Top 10 do ranking ATP, o francês Jo-Wilfried Tsonga e o sueco Robin Soderling são aqueles que mais torneios disputaram nos últimos 12 meses: 25 cada! Curiosamente, ambos sofreram com as lesões. Tsonga está longe da melhor forma neste final de temporada, devido a problemas nas costas e num joelho. Soderling está sem competir, em virtude de uma lesão no cotovelo direito, e dificilmente será capaz de se manter na corrida para um Masters que já conhece seis dos oito apurados. Do lado oposto daqueles que mais competiram estão Roger Federer e Rafael Nadal: 17 torneios. O suíço por opção; o espanhol por ter estado mais de dois meses lesionado. Atendimento médico pode sofrer alterações Corre o rumor de que os tenistas poderão partir para a greve se a ATP nada fizer, nos próximos tempos, para alterar o actual calendário. Essa medida extrema não merece qualquer reacção da entidade que regula o circuito profissional masculino, por parecer pouco provável. A grande novidade já para 2010 poderá acontecer na alteração do pedido de apoio médico durante um encontro. A intenção é privilegiar o espectáculo e os interesses do público, e tudo indica que deixará de ser permitido aos atletas chamar o médico ou o fisioterapeuta antes da conclusão de cada jogo. Desse modo, a ATP está convencida que as condutas antidesportivas seriam diminuídas consideravelmente.
Classifique este artigo:
Pobre
Excelente

A sua votação ajuda os outros utilizadores a medir o valor de um artigo
Publicidade
Última Hora
- Bancada central do estádio com falta de segurança
- Jorge Costa "convencido" de que a equipa vai voltar aos golos na sexta-feira
- Paulo Sousa treina condicionado, Romeu Torres operado
- Identificados cinco clubes suspeitos de falsificação de resultados
- AC Milan junta-se à ‘Juve’ no lote de interessados em Royston Drenthe


